Estávamos atrasados. Eu me demorava no que parecia ser toda uma cozinha em miniatura, rosa e perfeita a cada detalhe em que me detinha. “Eu é que não compro isso para ela!”, me guiava pela mão loja adentro.
Minha mulher tem mãos de noiva, firmes e tenras. Seus afagos, desde os tórridos aos mais ternos, eu amo dum mesmo modo a um só tempo. Deixo-me guiar. Levamos, enfim, uma pequena fazenda cujos animais – grandes o bastante para que minha afilhada não os engolisse – nenhum som emitiam. Uma chatice.
Estive “amuado” todo o dia e a perspectiva de não nos servirem bebida alguma numa festa infantil me deixou ainda menos festivo. Chegamos e, lá, éramos o único casal sem filhos. Pronto: além de amuado, agora me sentia só e estéril. Beatriz, com seu vestido de boneca, fora dormir cedo, cansada de ser paparicada após uma série de fotografias.
Algum convidado, dotado da sagacidade dionisíaca, antevendo o cochilo das crianças, comprara uma dúzia de cervejas, que os adultos se apressaram em sorver sob o calor carioca – implacável nos últimos dias. Anie, minha mulher, diante da cogitabundice cabisbaixa em que me pus, a mão sobre a minha.
– Outra cerveja, amor?
“Não.”, dissimulado, um sorriso sem dentes. Trouxe a cerveja e, como se algo lhe ocorresse subitamente, foi ao banheiro. Quando voltou, nos sentamos mais próximos que de costume, os braços entrecruzados.
Anie.
O que dizer além de:
* Você sempre acerta nas palavras
* É uma bela crônica
* ainda tenho os olhos cheios de lágrimas.
18 de março de 2011 às 13:23
Felipe da Fonseca says:
Obrigado, Nega.
3 de maio de 2011 às 11:43