Hoje o dia é calmo e nada nele deixa entrever que agonizo. Sirvo um Scotch num copo de requeijão.
Penso se o que acabo de escrever seria de Drummond.17:10
O copo de requeijão é calmo como o dia de hoje, um açude moreno-malte. Ergo-o.
Penso, me demoro na minha mulher. Penso no quanto a amo sem poder contar.17:11
As janelas dão para um muro. Nalguns tijolos lê-se Olaria Guandu, noutros, um par de calangos inicia a cópula, de ladinho por conta das caudas.
Penso que calangos são lagartixas mais taludinhas. Pantufas, mocassins casa adentro.17:12
A urgência dos calangos me detivera. "O dia é calmo...", entre os dentes amarelos.
Penso em não pensar. Penso peso pesar pensar. Cogito ergo... Penso em José Paulo Paes.17:13
Se algo pode ser apreendido de Bukowski (considere a metonímia), é o fator incapacitante do álcool. Quanto subjuga a escrita.
Penso na bebida detestável a que os ianques chamam bourbon. Penso que bebi até a última gota do Jack Daniels com que me presentearam. Penso que sou bêbado, hipócrita e que, sim, agonizo.17:14
Outro Scotch. Agora, tardo no copo. É calor. Mesmo o copo sabe e transpira.
Penso no Nordeste, maior consumidor de uísque no Brasil, na minha mãe. Nos olhos miúdos de minha mãe, comigo, quando fomos a Afogados da Ingazeira. "Como está mudada!", disseram sem palavra.
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Saiba, entretanto, que todos os comentários serão submetidos a mim e, por mais articulado que seja, seu idiossincrático cinismo, apesar de bem-vindo (e do que seu Terapeuta diz), não me interessa tanto quanto o bom, sempre estimulante e tácito desdém.
P.S.: A detratores acovardados e Loucos de Fórum, versão escrita dos "Loucos de Palestra", é reservado o anonimato.