De DIACRONIA POÉTICA*
III
A primeira vez que li Teresa
das duas, uma: eu era estúpido
ou o poema ia mal das pernas
Quando li Teresa de novo
achei preciso envelhecer os olhos de lê-lo
(envelhecê-los a ponto de símio para apreender
[Deus nas retinas)
Da terceira vez não li mais não
entre pernas estúpidas
não pude com ele, e me ri
IV
João amou Teresa que
amou Raimundo
que amou Maria que
amou Joaquim
as pessoas como
cães danados
como as pessoas
INGENHO DI DENTRO
as pessoas esvoaçam
as pessoas esvoaçam
esvoaçam como
como contrapombas
De FOSSOS D’OFÍCIO
II
poeta menor
Eu, vá lá, nasci poeta.
Mas como nascesse anão.
A mim tocar
Tocar interessa
Enfim, onde
Não pode a mão.
De BREVIÁRIO
I
De BREVIÁRIO
I
Como dois amantes
trançassem os dedos
sem darem por isso
e um rubor mestiço
pendesse dos olhos,
como quatro amantes
não soube ser Deus
não soube ser Deus
De LIRA DOS VINTE ANUS
1.
Dona Eva
telúrica
quando a
noite criou
limo na
dona Eva
a capoeira
alumiou
sem assobio
*Nem todos os "cadernos" do livro têm poemas nesta seleção.
*Nem todos os "cadernos" do livro têm poemas nesta seleção.