27.1.12

Ecce humu, poemas.


De DIACRONIA POÉTICA*

III

A primeira vez que li Teresa
das duas, uma: eu era estúpido
ou o poema ia mal das pernas 

Quando li Teresa de novo
achei preciso envelhecer os olhos de lê-lo 
 (envelhecê-los a ponto de símio para apreender 
                                                  [Deus nas retinas) 

Da terceira vez não li mais não
entre pernas estúpidas
não pude com ele, e me ri


IV
João amou Teresa que
amou Raimundo
que amou Maria que
amou Joaquim
que tinha sido amante de Lili que tinha SIDA


De GARES


CENTRAL 
as pessoas como
cães danados
como as pessoas


INGENHO DI DENTRO
as pessoas esvoaçam
esvoaçam como
como contrapombas



De FOSSOS D’OFÍCIO


II
poeta menor

Eu, vá lá, nasci poeta.
Mas como nascesse anão. 

A mim tocar
Tocar interessa 

Enfim, onde
Não pode a mão.


De BREVIÁRIO


I
Como dois amantes
trançassem os dedos
sem darem por isso

e um rubor mestiço
pendesse dos olhos,
como quatro amantes

não soube ser Deus






De LIRA DOS VINTE ANUS


1.
Dona Eva
telúrica
quando a 

noite criou
limo na
dona Eva 

a capoeira
alumiou
sem assobio


*Nem todos os "cadernos" do livro têm poemas nesta seleção.